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BlogFisioterapia e osteopatia

Quando vale procurar um fisioterapeuta e osteopata

· 5 min de leitura · por Roberto Campos

Muita gente espera a dor ficar insuportável para procurar ajuda. Em boa parte dos casos, ela passa sozinha em alguns dias, e esperar um pouco é razoável. Mas existem situações em que não vale a pena esperar tanto, e conhecê-las ajuda a decidir com mais tranquilidade.

Quando a dor começa a mudar a rotina

O primeiro sinal costuma ser pequeno: a pessoa deixa de fazer algo de que gosta. Evita pegar o neto no colo, desiste da caminhada, dorme mal porque não acha posição, sente a coluna travar ao olhar para trás no carro ou ao amarrar o tênis. Quando a dor passa a decidir o que se faz no dia, já vale uma avaliação.

O mesmo vale para a dor que vai e volta. Uma crise de dor nas costas por ano costuma ser tranquila. Várias crises, ou uma dor que não melhora em algumas semanas, indicam que algo na forma como o corpo se move, trabalha ou descansa merece ser entendido. Também é um bom momento para buscar ajuda antes de começar uma atividade nova, como voltar a correr, entrar na academia ou trocar de esporte, para saber como o corpo está e por onde começar.

Postura e o dia a dia

A postura raramente é só uma questão de "ficar reto". Horas diante do computador, o celular na altura do peito, a cadeira que não combina com a mesa e o corpo que passa o dia na mesma posição vão cobrando um preço: pescoço duro, ombros pesados, lombar cansada no fim do expediente. Muitas vezes a dor não vem de uma lesão, mas da soma de pequenos hábitos. Entender quais são eles, e o que o corpo precisa para aguentar a rotina, costuma ser mais útil do que qualquer regra de postura perfeita.

Depois de uma cirurgia ou lesão

A recuperação depois de uma cirurgia ou de uma lesão costuma gerar insegurança: o que pode, o que não pode, quando voltar a se mexer. O acompanhamento pós-operatório é feito no consultório, com exercícios e orientações para recuperar movimento e confiança, no ritmo de cada pessoa.

Mobilidade, equilíbrio e quedas na pessoa idosa

Com o passar dos anos, é comum o corpo da pessoa idosa ficar mais lento e menos firme: levantar da cadeira exige mais esforço, a escada vira um desafio, o passo encurta e a sensação de desequilíbrio aparece em situações simples, como virar o corpo, entrar no carro ou tomar banho. Pouco a pouco, a pessoa passa a se movimentar menos por medo de cair, e esse medo, sem querer, enfraquece ainda mais as pernas e o equilíbrio. É um ciclo que vale interromper cedo.

Existe uma forma de olhar para isso antes que a queda aconteça: a triagem do risco de queda. É uma avaliação rápida e sem dor, com testes simples, como levantar e sentar da cadeira, caminhar uma pequena distância, ficar em pé sobre uma perna só e andar em linha reta. Ela mostra como estão a força das pernas, o equilíbrio e a marcha, e ajuda a saber quem precisa de mais atenção. Alguns sinais merecem avaliação sem demora: já ter caído, sentir medo de cair, precisar das mãos para levantar da cadeira, se apoiar nos móveis para andar, tropeçar com frequência ou sentir tontura ao ficar em pé.

A partir do resultado, o trabalho de prevenção combina exercícios de equilíbrio e de força para as pernas, treino de marcha, prática de situações do dia a dia, como levantar do chão com segurança, e orientações para a casa: tapetes soltos, iluminação, calçados, barras no banheiro. Os exercícios orientados estão entre as formas mais estudadas de reduzir o risco de quedas. Isso não zera o risco, mas ajuda a manter o que mais importa para quem envelhece: a independência para continuar fazendo as próprias coisas.

Crianças, adolescentes e bebês

Nas crianças e nos adolescentes, o olhar da família conta muito. Um ombro mais alto que o outro, uma escápula mais saltada ou um lado das costas que sobe quando o filho se curva merecem uma avaliação, mesmo sem dor, porque a escoliose quase nunca dói.

Nos bebês, os sinais costumam ser outros: o pescoço que gira mais para um lado, a preferência por deitar sempre virado para o mesmo lado, uma cabeça que parece achatada ou alongada. O atendimento fisioterapêutico e osteopático acompanha situações como o torcicolo congênito e as alterações no formato do crânio, como a plagiocefalia (cabeça achatada de um lado), a braquicefalia (cabeça mais larga e curta) e a escafocefalia (cabeça mais alongada). O cuidado inclui orientações de posicionamento no dia a dia, estímulo ao movimento e, no torcicolo, exercícios adequados à idade.

Como é a primeira consulta

A avaliação começa com uma conversa: onde dói, desde quando, o que piora e o que alivia, como é a rotina, o que já foi feito, quais exames existem. Quem tiver raio-X, ressonância ou laudos pode levá-los, mas não é preciso ter exame para começar, e também não é preciso encaminhamento para marcar uma avaliação.

Depois vem o exame do corpo: postura, movimentos, força, mobilidade, equilíbrio e testes específicos. No fim, o que foi encontrado é explicado em palavras simples, e o plano de tratamento é combinado em conjunto. O cuidado costuma reunir técnicas manuais, exercícios e orientações para o dia a dia. O número de sessões varia muito de pessoa para pessoa e é definido depois de entender o caso.

Esperar é razoável quando o incômodo é passageiro. Quando ele se repete, limita a rotina ou muda a forma de andar, de levantar e de se equilibrar, o corpo já está dando o recado.

Roberto Campos
Fisioterapeuta e Osteopata · Crefito 83743-F

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